Festivais Gil Vicente
Festas da Cidade e Gualterianas
Festivais Gil Vicente
Festas da Cidade e Gualterianas
Festivais Gil Vicente
Festas da Cidade e Gualterianas
main logo
menu logo
menu logo
menu logo
menu logo
menu logo
menu logo
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image loja

Voltar

CIAJG

SALAS 12 E 13

Complexo Colosso

Exposições

TODAS AS IDADES

Ángel Calvo Ulloa, Curador convidado
Carla Filipe, Alisa Heil, NEG (Nova Escultura Galega), Jorge Barbi, Lola Lasurt, Taxio Ardanaz, Jeremy Deller, Gareth Kennedy, Jorge Satorre, Pedro G. Romero, Andreia Santana, Joaquim Salgado Almeida, André Sousa e José de Guimarães

A primeira notícia que existe sobre a existência do Colosso de Pedralva é de 23 de maio de 1876, data em que Francisco Martins Sarmento registou, num dos seus cadernos, as informações recebidas de um tal Padre António. Este relatou a existência, em Monte dos Picos, na freguesia de Pedralva, de um homem de pedra que supostamente corresponderia ao “esboço do gigante Golias”, e cujo destino era o Bom Jesus do Monte, em Braga.

Mas após a primeira visita a Pedralva, o arqueólogo começa a fantasiar sobre a possibilidade de que a protuberância indefinida que a figura exibia na sua coxa esquerda pudesse estar relacionada a um culto fálico e à superstição da virtude procriadora atribuída a outras pedras que Sarmento havia datado na proto-história.


As contraditórias teorias transmitidas pelos informantes de Martins Sarmento e as suas próprias dúvidas sobre a origem da escultura vão definir, nos anos seguintes, novos interesses por parte do investigador. Até que, em 1892, decide finalmente comprar um pequeno lote de terra a poucos metros do local da descoberta, onde foram montadas as três peças que compunham o Colosso.


Após a morte de Martins Sarmento, em 1899, o caso perde força nos debates arqueológicos e só em 1929 a escultura é transferida para o jardim da Sociedade Martins Sarmento/SMS onde ficará até 1996, quando um acordo entre a Câmara Municipal e a SMS decidiu transferi-lo para o acesso oeste da cidade, na Alameda Mariano Felgueiras, numa rotunda localizada entre o Hospital Senhora da Oliveira e o Guimarães Shopping, onde permanece até hoje.


Ao longo do século XX, o Colosso despertou timidamente o interesse de diversos estudiosos do campo da arqueologia e teve, no caso da Galiza, um especial impacto. Na segunda parte do século, o Colosso passou a fazer parte, entre a intelectualidade vizinha, não só de extensos estudos especializados, mas também de um repertório simbólico que dava conta da suposta importância do achado.


Dizem que as histórias se formam em parte de verdade e em parte de especulação. A complexidade do caso do Colosso de Pedralva conhece, entre o final do século XIX e todo o século XX, um processo de constante ressignificação, sendo objeto de especulações e imprecisos estudos arqueológicos que, de alguma forma, o transcendem enquanto artefacto anacrónico. Pertence não só ao campo da arqueologia, mas também ao imaginário coletivo da área de influência do Minho.


Para além de veredictos sobre a importância da origem e datação, o projeto Complexo Colosso pretende aprofundar de forma indisciplinada as várias camadas que constituem este relato. A multiplicidade de identidades que determinam o tudo e o nada do Colosso são a base fundamental para colocar em questão as “culpas” a que foi condenado.


Transferir a análise do Colosso para o campo da arte permite também repensar o relato fazendo uso de todas essas camadas - as que alimentaram e as que questionaram a épica - formadoras do que o Colosso hoje representa. Complexo Colosso também aponta uma complexidade que vai além do debate sobre a origem do homem de pedra, desembocando em aspetos políticos e sociais que revelam uma série de problemáticas históricas das quais o Colosso é apenas a ponta.

Complexo Colosso vista geral
Complexo Colosso Vista da instalação Hex Hex de Alisa Heil e André Sousa
Complexo Colosso - Vista da instalação NEG - Nova Escultura Galega

Ángel Calvo Ulloa nasceu em 1984, em Lalín (Pontevedra). É curador de exposições e crítico para publicações como El Cultural e Dardo Magazine. Como curador tem trabalhado em projetos para instituições como CA2M (Madrid), La Casa Encendida (Madrid), Caixaforum (Barcelona), MNAC (Barcelona), MARCO (Vigo), CCEMx (Cidade do México) ou Tabacalera (Madrid), entre outras. Atualmente prepara com Antonio Ballester Moreno o projeto de exposição “Autoconstrucción. Piezas sueltas. Juego y experiencia”, para ARTIUM (Gasteiz, País Vasco) e “Nuevos Babilonios (com Pedro G. Romero), para o Instituto Moreira Salles (São Paulo). Recentemente publicou, com Juan Canela, o livro “Conversaciones desde lo curatorial. Ideas, experiencias y afectos”, Editora Consonni.


Carla Filipe nasceu em 1973, na Póvoa do Valado (Aveiro). Fez parte do movimento “artist run spaces” no Porto (cofundadora do “Salão Olímpico” e do “ Projecto Apêndice”), iniciando neste contexto o seu trabalho. Investiga a apropriação de objetos e documentos, e tece relações entre objetos de arte, cultura popular e ativismo. Do conjunto de exposições nacionais e internacionais destacam-se: 8.ª Bienal Manifesta, 13.ª Bienal de Istambul, Museu de Serralves e Bienal de São Paulo. Com Ulrich Loock foi curadora de “O ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã”, Galeria Municipal do Porto (2018).


Alisa Heil nasceu em 1986, em Gelnhausen, e André Sousa em 1980, no Porto. Embora partilhem atelier nessa cidade e a prática de ambos inclua pontos em comum, esta é a primeira ocasião em que o trabalho de ambos é concebido numa instalação conjunta. O interesse de Heil aplica a correlação entre superstição, seu simbolismo e consumismo ultrapassado. Na pintura de Sousa, assim como nos seus vídeos, encontramos paisagens, referências literárias, experiências individuais ou elementos e apropriações codificadas. Além de ter apresentado seu trabalho internacionalmente em diversas ocasiões, Sousa coordena desde 2008, com o artista Mauro Cerqueira, o projeto e espaço artístico “Uma Certa Falta de Coerência”, no Porto. Heil fundou em 2017 o projeto curatorial itinerante “Kunsthalle Freeport”. Juntos, partilham a crença numa cena liderada por artistas.


NEG (Nova Escultura Galega) é um coletivo de artistas fundado por Misha Bies Golas (Lalín, Pontevedra, 1977) e Jorge Varela (Allariz, Ourense, 1971), em 2018. A sua prática artística remete não só à tradição artesanal galega, como também aos conceptualismos dos países do Leste europeu, nos anos setenta. Realizaram extensa compilação e troca de documentos e arquivos, bem como viagens de estudo a vários países do Leste da Europa, tendo publicado “Cadernos da NEG”. A primeira apresentação pública conjunta acontece no CIAJG (Centro Internacional das Artes Jos é de Guimarães), no contexto da exposição “Complexo Colosso”.


Jorge Barbi nasceu em 1950, em A Guarda (Galiza). A reflexão sobre a passagem do tempo, os objetos e seu contexto, a dialética forma-conteúdo e a preocupação com os mecanismos de perceção são constantes na obra de Jorge Barbi. Desde o início dos anos oitenta, Barbi adotou a viagem como método de trabalho para a observação de uma geografia e uma cartografia exaustiva da paisagem e dos elementos mutáveis que a constituem. O seu trabalho tem sido mostrado de forma individual em CAM Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; MARCO, Vigo; Museo Patio Herreriano, Valladolid ou CGAC, Santiago de Compostela.


Lola Lasurt nasceu em 1983, em Barcelona, e vive e trabalha nesta cidade. A artista pesquisa sobre a História como processo aberto e autocrítico, através da instalação, pintura, vídeo e processos colaborativos, numa perspetiva arqueológica dos media. Atualmente, finaliza um Master em Filosofia no Royal College of Art de Londres. Do conjunto de exposições nacionais e internacionais destacam-se: Galería Joan Prats, Espai13 Fundació Joan Miró, Museu Abelló, Mollet La Casa Encendida, Sant Andreu Contemporani, entre outras. Foi nomeada para o Young Belgian Art Prize’15, e recebeu o Premio Miquel Casablancas, entre outros.


Taxio Ardanaz nasceu em 1978, em Pamplona. Vive e trabalha em Bilbao. Licenciado em Belas Artes, completou a sua formação através de seminários e workshops com os curadores e artistas Esther Ferrer, Julie Mehretu, Miroslaw Balka e Peio Aguirre. Realizou residências artísticas em países como a Itália, Curdistão iraquiano, Cuba, Áustria, México e China. Do conjunto de exposições nacionais e internacionais destacam-se: Tabacalera Promoción del Arte (2017), Raquel Ponce Gallery (2013), La Habana: Artist x Artist (2016); Mexico City: Ateneo Español de México (2012), AN Studio (2011); and Pamplona: Polvorín de la Ciudadela (2008). Recen - temente foi selecionado nos Prémios Itzal Aktiboa (2018).


Jeremy Deller nasceu em 1966, em Londres, cidade onde vive e trabalha. Foi vencedor, entre outros, do Turner Prize em 2004. Tem vindo a desenvolver uma pesquisa sobre estereótipos sociais e narrativas de identidade e da história, através de formas colaborativas de produção, numa proposta que dilui os protocolos da autoria. Do conjunto de exposições nacionais e internacionais destacam-se: FRAC Nord-PasDe-Calais; FRAC Pays de la Loire; Tate Modern, London; Victoria & Albert Museum, London, The Modern Institute, Glasgow/UK (2019); British Pavilion, 55th Venice Biennale/ IT (2013); Hayward Gallery, London/UK (2012); Palais de Tokyo, Paris/FR (2008).


Gareth Kennedy nasceu em 1979, em Dublim. O seu trabalho explora o papel social do artesanato no século XXI e gera ‘comunidades de interesse’ em torno da produção e interpretação de novas culturas materiais. Os resultados geralmente incluem estruturas arquitetónicas ou projetadas, filmes, objetos feitos à mão, bem como eventos performativos ao vivo que dão vida a essas entidades físicas em contextos públicos específicos. Kennedy produziu e exibiu trabalhos internacionalmente. A sua prática até o momento inclui obras de arte públicas, projetos educacionais, exposições, residências e colaborações. Em 2009, co-representou a Irlanda na 53.ª Bienal de Veneza.


Jorge Satorre nasceu em 1979, na Cidade do México. Através de processos manuais e experimentação com materiais diversos, a sua obra tem-se desenvolvido como um conjunto de respostas a vestígios excluídos de momentos históricos nos diferentes contextos com que se relaciona, reivindicando opiniões aparentemente pouco representativas, mas reveladoras de uma verdade não hegemónica. O seu trabalho tem sido mostrado em espaços como: REDCAT, Los Angeles; Museo Tamayo, Cidade do México; Artspace, Auckland; Halfhouse, Barcelona; Le Grand Café, St-Nazaire (França); FormContent, Londres; Centro Cultural Montehermoso, Vitória ou La Casa Encendida, Madrid.


Pedro G. Romero nasceu em 1964, em Aracena (Huelva). O tema central da sua obra é a reflexão e investigação das imagens que resistem ao tempo - histórico, biológico, psicológico ou verbal. A sua obra aborda constantemente o desaparecimento da autoria e o questionamento das crenças. Em 2000 começou a trabalhar nos projetos: “Archivo F.X.” e “Máquina P.H”, tendo como material de trabalho a iconoclastia e o flamenco, respetivamente. Participou de citas internacionais como Bergen Assembly 2019; dOCUMENTA14; 31.ª Bienal de São Paulo; Manifesta 8 e 53.ª Bienal de Veneza, entre outras.


Andreia Santana nasceu em 1991, em Lisboa. Vive e trabalha em Nova Iorque. Licenciada em Artes Plásticas na ESAD - Escola de Artes e Design de Caldas da Rainha, participou no Programa de Estudos Independentes da Maumaus e é atualmente bolseira do programa de Studio Art da CUNY, Nova Iorque. Foi vencedora do Prémio Novo Banco Revelação, nomeada para o Ducato Prize (Itália) e recipiente de bolsas incluindo a Fulbright/Fundação Carmona e Costa, entre outras. Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro, em instituições como o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto; Hangar, Lisboa; Generali Milano; Galeria Filomena Soares; MAAT, entre outras.


Joaquim Salgado Almeida nasceu em 1951, em S. Martinho de Candoso (Guimarães). Licenciado em Artes Plásticas pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, lecionou na área das artes visuais no ensino público e superior privado. Para além da pintura, tem trabalhado com escultura e como ilustrador para várias publicações. Como cartoonista, colaborou no jornal “O Povo de Guimarães”, onde se destaca a presença de Afonso Henriques e o Colosso de Pedralva, referências históricas e identitárias. É presença semanal no jornal “Mais Guimarães” com a tira “Mais SAL”. Presentemente colabora em projetos como “Osmusiké Cadernos”, “Sons e vozes da Liberdade”, “Sons do Temp(l)o” e outros mais, em forma embrionária.