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CCVF

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Grande Auditório Francisca Abreu

SÁBADO 3 OUTUBRO 2026, 21H30

A Luminosa Violência da Perfeição

Daniel Matos
Dança

O que é que uma cavalaria e o corpo da juventude têm em comum? Sendo o mais honesto possível também não sei, mas são estas as três primeiras imagens que me surgem quando oiço a "Pavana para uma Infanta Defunta" de Maurice Ravel. Uma pavana é uma dança lenta, associada a um cortejo de características processionais e melancólicas, com um peso e uma lentidão que sinto que carregam uma velocidade escondida. A verdade que encontro neste tempo demorado de transportar um corpo diz-me que ando à procura de demorar o enterro da juventude tanto quanto possível. Talvez por me aperceber que deixei coisas para trás, ou por sentir que não vivi vagarosamente uma adolescência que deveria ser eterna, encontro agora um refúgio neste tempo da pavana para gerar uma coreografia interminável, incontrolável. Uma fugacidade que não desacelere nunca do início até ao fim deste cortejo, questionando assim qual é realmente a durabilidade da ausência de pausa, utilizando o tempo no seu exponencial máximo. Poderá um corpo driblar-se a si próprio em campo? Poderão os cavalos e as éguas selvagens galopar para trás como fuga de um futuro destrutivo?A vida como a peste e a juventude como a montanha. E vamos ao topo da montanha não para entrar, mas para sair de nós mesmos, para deixarmos os cavalos e as éguas correrem em liberdade, em direção à morte ou à purificação. Acredito que chegou a hora de respirarmos menos e suarmos mais.

Coreógrafo, performer e artista plástico. Inicia os estudos em Artes Visuais e licencia-se em Dança pela ESD – IPL. O seu trabalho desenvolve-se através de práticas multidisciplinares, explorando o corpo como campo biográfico e assumindo o presente como um espaço político e de transgressão, ritual e afeto. Desde 2014, é colaborador artístico, performer e assistente de ensaios do duo Ana Borralho & João Galante, participando nas criações Atlas, SexyMF, Louise Michel, Tempo p/ Refletir e O Centro do Mundo. Enquanto intérprete, colabora com Angélica Liddell, Romeo Castellucci, Barbara Griggi, Luís Marrafa, André Uerba, Amélia Bentes e Davis Freeman.
Foi convidado a partilhar os seus processos criativos no Conservatori Superior de Dansa de València, na Escola Superior de Dança, no Campus Paulo Cunha e Silva e na Piscina. Desde 2017, apresenta o seu trabalho em países como França, Brasil, Indonésia, Áustria, Noruega, Índia, Macau, Singapura, Austrália e Itália. Destacam-se Vara (2022), nomeada para Melhor Coreografia pela SPA em 2023, e A Pedra, A Mágoa (2024), vencedora do Prémio Internacional “Drop”, no PUF Festival (Pula, Croácia) do Prémio Melhor Coreografia pela SPA em 2025. Recebeu o Prémio ETIC para Melhor Filme de Dança Nacional com Quase Desabitada (2022). Com Joana Duarte, fundou em 2017 a CAMA – Associação Cultural, onde é artista residente e diretor artístico. Assume a co-direção artística e programação do Pedra Dura – Festival de Dança do Algarve, sendo também co-curador do Festival Internacional Verão Azul. Em 2023, cria o CENDDA – Centro de Documentação de Dança do Algarve. Em 2025, co-cria Durarei por Paz e Nunca por Mal, um solo para Mélanie Ferreira, e desenvolve um ciclo de vídeo-dança em colaboração com o videógrafo João Catarino, intitulado Crying Cycle. A convite da dupla de coreógrafos Sofia Dias & Vítor Roriz, integrou o LAB Cumplicidades em 2025, apresentando a performance Rider Sonata nº 8 em co-produção com o MAT Museu e com a Fundação Champalimaud.
Em 2026, Daniel Matos é artista associado dos Estúdios Victor Córdon / OPART, sendo o artista convidado para o programa EM CASA.

Direção Artística, Coreografia e Concepção Plástica - Daniel Matos

Cocriação e Interpretação - Lia Vohlgemuth, Joana Simões, Claudio Murabito, Margarida Paiva, Florencia Martina e Nuno Velosa

Colaboração Artística, Fotografia e Vídeo - João Catarino

Consultoria Artística - Beatriz Marques Dias

Música Original (A partir de Pavane pour une Infante Défunte, de Maurice Ravel) - Joana Guerra

Interpretação Musical ao vivo - Joana Guerra e Orquestra do Algarve

Maestro - Pablo Urbina

Orquestradores e Arranjadores - Alunos da Universidade de AveiroFigurantes Crianças - Alunos da CAMADA Centro Coreográfico

Cenografia - João Catarino, Joana Duarte e Daniel Matos

Desenho de Luz e Direção Técnica - Ana Carocinho

Figurinos - Marina Tabuado

Direção de Produção - Joana Flor Duarte

Coordenação de Produção - Diana Martins

Comunicação e Assessoria de Imprensa - this is ground control

Coprodução - Teatro das Figuras, Centro Cultural Vila Flor, Cine-Teatro de Torres Vedras, Teatro Municipal da Covilhã e Município de Lagos

Residências de Coprodução - O Espaço do Tempo e Teatro José Lúcio da SilvaApoio à Residência - GrandStudio Brussels – Materiais Diversos, Trois C-L (Luxemburgo), Estúdios Victor Cordon, Cine-Teatro Louletano, CAPA Devir, O Rumo do Fumo, Fórum Dança, Teatro José Lúcio da Silva e CAMADA Centro Coreográfico

Apoios - Teatro Experimental de Lagos, LAC – Laboratório de Atividades Criativas, casaBranca associação cultural, CAMADA Centro Coreográfico, Universidade de Aveiro, JoPAuto SA, ESTUFA Plataforma CulturalProdução - CAMA a.c.
Este projeto é financiado pela DGArtes - Ministério da Cultura, Desporto e Juventude / República Portuguesa.

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